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sexta-feira, 29 de junho de 2012




And counting :D

sábado, 9 de outubro de 2010

Capítulo III

A mulher que sabia da desconhecida


A jovem mulher tremia que nem varas verdes. Com a respiração acelerada, fazia movimentos involuntários com a boca, chorando, feita louca. Para além de não emitir sons que se percebessem, demorava imenso tempo a proferir qualquer palavra.
- Sabe a identidade da vítima?? Desculpe insistir, mas tem a certeza? É que… bem… a cara não está nada reconhecível. - perguntou calmamente Lídia, conseguindo ocultar a enorme surpresa. Qual a probabilidade de se deparar com uma pessoa que sabia mesmo quem era a vítima desconhecida?
Após um silêncio longo e ensurdecedor, a mulher finalmente reagira. “Ah, por momentos pensava que ela não tinha percebido nada do que eu tinha dito” pensou Lídia. O corpo da mulher tremia menos, parecendo finalmente ter-se acalmado.
- T-t-tenho quase a certeza absoluta… Os olhos não enganam.
- Os olhos? Como assim? Da vítima? Estão meio vidrados, e se reparar… - Lídia foi subitamente interrompida por Rodrigues, que as observara de longe, e que esperava ansiosamente de se intrometer na conversa:
- Desculpe interromper Dra. Oliveira. Já acabei de documentar o perímetro total da cena do crime, como também as fotografias. Vou levar agora as provas ao laboratório criminal para processá-las. Agora sim, estamos verdadeiramente despachados, e devemos ir andando, para também estarmos atentos ao resultado da autópsia.
- Trabalhar no laboratório é mesmo a tua praia, não é? Não tens que forçosamente fazer o trabalho de campo, sabes? – provocou Lídia, com intenção de aconselhá-lo, acabando por contornar o seu carácter sério, dando um tom de brincadeira à sua voz.
- Quero ser capaz de fazer ambos os trabalhos. Sei que sou capaz! – disse Rodrigues com convicção. Lídia esboçou um sorriso com ar de aprovação, ao qual Rodrigues mostrou-se surpreendido.
- Claro. Bem, senhora dona...? - interrogou Lídia Oliveira virando-se para a mulher asiática de estatura baixa.
- Zhào. Ming Zhào. – acrescentou, balbuciando, a jovem mulher, que continuadamente tremia. Contudo, mais controlada.
- Sra. Zhào, vou pedir que nos acompanhe até às nossas instalações. Decerto que podemos acabar a nossa conversa lá, se estiver disponível. – Rodrigues mostrou-se mais uma vez surpreendido pelo pedido que Lídia fazia a Ming Zhào. “Sei o que faço Rodrigues. Aqui há gato” pensou Lídia, apercebendo-se do ar surpreso de Rodrigues. Ironicamente, Rodrigues parecia ter ouvido o pensamento de Lídia:
- Acompanhe-nos, por favor, Sra. Zhào.
Ming Zhào confirmou o pedido dos investigadores com um leve aceno, e os três dirigiram-se para o carro.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Capítulo II

6 meses antes

Não era usual em Liliana acordar àquelas horas. Mas pudera, depois da longa noite que tivera, seria pouco normal acordar cedo. Liliana e os amigos tinham tido uma grande noite, que foi passada a festejar o fim da suas licenciaturas. Era um alívio enorme para Liliana já ter terminado. Sentia que a sua vida finalmente começava! Liliana era uma rapariga de 22 anos, confiante e extrovertida, com longos e lisos cabelos castanhos. Os seus olhos eram, no entanto, distinguíveis. Um olho, uma cor. O facto de não ter olhos de cores iguais (um castanho e outro azul-esverdeado) não a incomodava nem perturbava a sua confiança. Gostava de ser diferente.
Ao acordar, a primeira coisa que pensou foi em contactar o seu amigo de longa data, Miguel.
“Desculpa se te acordo, mas não resisto em mandar-te uma SMS” pensou Liliana, mandando uma mensagem a Miguel, pedindo para se encontrarem ao almoço.
Ficou deitada na cama à espera da resposta, e quando finalmente a recebeu, ficou contente pela mesma ser positiva, encontrando motivação para sair da cama e ir tomar um longo banho.
Às 13h da tarde, a campainha tocou. Liliana, dirigiu-se apressadamente para a porta.
- Mike! Ainda bem que vieste!
- Fiquei verdadeiramente surpreso com a tua mensagem, pensava que ainda era da embriaguez de ontem! Ai valente! – brincou Miguel, entrando para a casa. Era um rapaz altíssimo e cheio de energia; transmitia sempre boas vibrações, sendo uma das razões pela qual Liliana adorava-o. Ambos caminharam para a sala e sentaram-se lado a lado, no sofá azul e fofo.
- Piada engraçada querido, mas acho que tu sabes que eu não sou de ficar muito alcoolizada! – retorquiu Liliana.
- Não sei se fico contente por ti ou se te dou os meus pêsames…
- Só demonstra a utilidade da minha pessoa! – disse Liliana, muito segura de si. – Agora é só malta a cravar boleia. - Ah conta com isso... Anda tudo preguiçoso para tirar a carta! A Ming já te ligou? Ela está a pensar em fazer o jantar de anos dela amanhã, lá no restaurante dos pais dela. Acho que até é bem pensado, há imenso tempo que não como chinês. Aproveita-se e vê-se lá o jogo do Benfica e tal. – sugeriu Miguel.
- Sim, ela já me disse. Concordo, acho muito bem… Bem, e por falar nisso, vamos tratar do nosso almoço. Vem dar-me uma ajudinha na cozinha, sim?

No dia seguinte, à noite

- ‘Tou? Lily és tu?! Para variar só 'tás uns catorze minutos atrasada! Vá lá, só faltas cá tu! - Ming Zhào gritava histericamente ao telefone, como uma criança numa meninice perfeita. Liliana quase nem tinha que colocar o telefone ao pé do ouvido, visto que ouvia perfeitamente com o telefone a uma distância considerável:
- Sim, sim, eu sei Ming! Desculpa a sério, só que estou a apanhar um trânsito enorme! Cinco minutos e estou aí.
Ming Zhào era uma amiga de longa data de Liliana, de estatura baixa e com aspecto meio "nerd". Oriunda da China, veio para Portugal aos doze anos de idade, altura em que conheceu Liliana. Ming contou com o apoio total de Liliana na difícil adaptação ao país.
Momentos mais tarde, Liliana conseguiu finalmente chegar ao restaurante. Após um pedido de desculpas a Ming pela interminável demora, começaram de seguida a jantar. Para além da comida tradicional chinesa, o que se podia ver mais em abundância era o imenso álcool, de todas as variedades. Estavam por volta de quinze pessoas no restaurante, que faziam um barulho ensurdecedor: eram pessoas a comer, outras a fazer brindes, as demais a discutir o futebol. Era um espaço pequeno que, no entanto, parecia muito grande, visto ser rodeado por espelhos nas paredes que dinamizavam o espaço. Passavam os minutos que rapidamente se convertiam em horas, e toda a gente se divertia.
- Isto era para vocês não se queixarem! ‘Tão a ver como a China não é assim um país tão estranho. Então e o Benfica pá? Anda ou não? - Após Ming proferir estas palavras, a emissão do jogo foi interrompida.
- Ming, deste azar!!! - refilou Miguel - faz aí o feitiço de volta ahaha!
- Miguel, cala-te! - calou-o de imediato Liliana. Sabia que, para um jogo de futebol importantíssimo como aquele ter sido interrompido, era porque era coisa séria. Foi então que surgiu um pivô na televisão: "Notícia de última hora. Assassinato no Campo Pequeno. Três mulheres foram encontradas mortas numa esquina, brutalmente assassinadas. Ambas as vítimas encontravam-se despidas, e ainda não foi possível identificá-las. Mais informações quando (...) ".
- Ai que horror! Quem poderá ter feito uma coisa destas? - perguntou desesperada uma rapariga que se encontrava na mesa a jantar com eles.
- Não faço ideia... Sim, mas é de facto uma atrocidade! – comentou outro.
- Há que lamentar... Mas nós queremos é o futebol! Vá pessoal comigo: o FUTEEEBOL! - Ming já se encontrava meio embriagada juntamente com as restantes pessoas da sala, que juntaram-se a ela no seu pingado cântico. Liliana, no entanto, encontrava-se bastante séria e alarmada.
Aquela notícia tinha provocado uma certa perturbação nela, pois detestava notícias tristes. Porém, Liliana desconhecia na altura que, num futuro próximo, ia ter um contacto muito directo com o que provocou aquela notícia...


domingo, 7 de fevereiro de 2010

Capítulo I

A rapariga do olhar vidrado

Estava morta, caída no meio de uma poça do seu próprio sangue, com o aberto olhar vidrado e vazio, com a cabeça virada para a porta de um bar situado do outro lado da rua. Um bar animado, decorado com muitas garrafas de whisky, que no entanto pareceu ignorar o violento crime que tinha acontecido mesmo em frente. Estava caída como se nem uma pessoa tivesse sido, sem qualquer história para contar… O corpo sem alma, despido de personalidade, sugado à força.
- Meu Deus, isto é completamente desumano… Que se passou aqui? Que informações têm para me dar? E como é possível já estar tanta gente aqui? – questionou apressadamente uma outra figura masculina, que entretanto chegara, com uma barriga avantajada e proeminente, pasmado com a brutalidade da situação com que se deparava e com a quantidade de pessoas que já rodeavam o lugar. Mal as sirenes da polícia se fizeram ouvir uns bons minutos antes, todas as pessoas do bar saíram à rua, motivadas pela curiosidade que aquele som despertara. - Bem, rapariga de nome e idade desconhecida, foi encontrada morta com uma faca cravada no peito, embora bastante ferida pelo restante corpo, por duas pessoas que passavam pela rua. Estão neste momento a ser interrogadas pelos nossos colegas. Detectámos, porém, que a vítima ingeriu um ácido antes de morrer, talvez X… O que é bastante visível, enfim. Teremos, no entanto, mais pormenores depois da autópsia. Vão levar agora o corpo. – informou detalhadamente um dos investigadores.
- Sim, sem dúvida. A garganta está completamente desfeita. O que se pode concluir então?
- O caso apresenta-se como um possível suicídio, Chefe… A carta junto da vítima, parece-me ser do tipo de despedida, principalmente por referir a própria morte. Contudo, o facto de estar rasgada suscita-me algumas dúvidas, como se alguém quisesse ter na sua posse aquela carta! Enfim, é difícil dizer agora, teremos que investigar mais. Há que considerar também o sítio em que foi encontrada… Parece-me evidente que foi morta neste lugar. Considero muito pouco dramático para um suicídio, não concordam? Mas também seria burrice do assassino matar num sítio público, com a probabilidade de ser visto. - afirmou o investigador de género masculino, com suposta exactidão do seu saber.
- Agradecemos a tua subjectividade, mas é algo que dispensamos. Aliás, não me parece que seja a primeira vez que alguém é morto num beco, Dr. Rodrigues. – respondeu a investigadora, fitando-o de certo modo, ao que ele ripostou com igual intensidade, sem proferir qualquer palavra. Virou-se para o Inspector - Inspector Morgado, um facto de extrema relevância... A única coisa que encontrámos junto da vítima, para além da carta rasgada, foi uma mala, que tinha somente no seu interior uma fotografia. Não havia qualquer elemento de identificação, como referido. É impossível saber se a fotografia é de um familiar ou de alguém mais próximo. Investigaremos a fundo. -
O corpo da rapariga estava abandonado e esquecido num beco escuro, como se de uma carcaça humana se tratasse. Lídia Oliveira era uma mulher que não se impressionava facilmente. Em dez anos de exercício de investigação criminal, era de duvidar que não aguentasse qualquer coisa. Contudo, aquela fotografia do interior da mala, fê-la pensar. Havia alguém importante para a rapariga desconhecida que fora assassinada brutalmente. Importar-se-ia alguém com o seu cruel assassinato? Pelo menos, pensou Lídia, “a rapariga não se tornará num vulto esquecido, enterrado friamente.”
- Ok muito bem, bom trabalho. Contactem-me depois da autópsia. Mantenham-me informado. Dr. Rodrigues, Dra. Oliveira. – limitou-se a concluir num tom monocórdico, o homem de barriga avantajada e enormes sobrancelhas, enquanto se afastava, caminhando com confiança para junto dos agentes policiais que interrogavam uma das pessoas que encontrara o corpo.
- Bem, temos trabalho a fazer, Rodrigues. E a ver se te acalmas um bocadinho! A investigação é um torneio intelectual. Tens que trabalhar muito. - aconselhou Lídia. Achava piada à inocência do Dr. Rodrigues, recém-licenciado em Ciências Forenses, que se demonstrara entusiasmadíssimo com esta investigação, desde que receberam a chamada para se deslocarem ao local. "É mais que natural", pensou Lídia. Perdida nos seus pensamentos, foi um violento puxão que a tirou do transe. Soltou um grito abafado. Olhou para trás e apercebeu-se que era uma das pessoas que falava anteriormente com os policiais. Uma mulher de aparência oriental, baixa, sem ultrapassar os 25 anos com certeza.
- Desculpe se lhe assustei. Podemos falar a sós? – perguntou com a voz trémula a mulher de estatura baixa. O seu sotaque denunciava a incerteza de Lídia.
- Claro - respondeu, ofegante, recuperando gradualmente do susto. Ambas deslocaram-se alguns metros, afastando-se da confusão. Quando finalmente pararam, Lídia olhou para a mulher, esperando que ela dissesse o quer que tivesse para lhe dizer. Parecia que hesitava. Era possível para Lídia respirar o seu nervoso ar. A mulher encontrava-se nervosa, ansiosa e emocionada.
- Sim...? - Lídia estava impaciente e cansada. Tinha sido uma longa noite e a pessoa à sua frente simplesmente não articulava qualquer palavra.
- Desculpe. Bem, o que quero dizer é o seguinte... Penso saber quem é a rapariga. -
Uma lágrima começou a escorrer-lhe pela cara. Como verdadeiro sentimento intenso e sofredor, a pesada lágrima caiu ao chão. Lídia estava espantada, perplexa pelo que sucedia, ao deparar-se com aquela tristeza descabida.

Prólogo

“27 de Fevereiro 1997

Ignoro tudo o que me dizes, e mesmo sabendo que não vos deixo felizes, não irei justificar… Não me importo de ficar só. A solidão não é estar sozinha. É estar no meio de mil pessoas e sentir a falta de apenas uma. Só nesses casos nos sentimos verdadeiramente sós, quando não temos ninguém. À muito abdiquei disso…

Não tenham medo por eu ter um segredo,
porque a vida é o que nos aparece!
Angústias e desilusões...
Cedo a pressões, enforcando corações
Que pouco me dizem, acontece!
Sou, não o sendo!
Resisto, desistindo
O que é, deixa de o ser,
Constantes mudanças que definem o meu viver
E continuarão na minha morte,
Que não é fingida, pois de facto estarei mesmo adormecida.
Queres saber o segredo? É um interessante enredo,
Que vou gostar de par…”


A carta encontrava-se rasgada. Além da palavra estar completamente imperceptível e incompleta devido à mancha de sangue que a cobria, a mesma encontrava-se rasgada naquela precisa sílaba.
- Devo dizer que esta situação é completamente arrepiante. Esta foi a carta que deixou? Não sabemos o destinatário? – perguntava uma figura masculina.
- Então, disseste que estavas preparado para a tua primeira investigação a sério! Relativamente ao destinatário da carta, não, apenas tem isso escrito. O que me intriga é o segredo a que ela se refere. Devia ser algo verdadeiramente secreto. – respondia a figura feminina , inteiramente intrigada.
- Sim, daí a palavra segredo… – retorquiu amargamente – O óbvio, é o preço que a rapariga pagou por ele.
- Pois, a vida longa custa mais caro… Mas não me parece tão óbvio assim. Acho que já estamos despachados, podemos mandar limpar isto.
Ao lado dos investigadores, um mar de sangue cobria o corpo morto feminino, sem identidade, com o olhar vidrado sem direcção, afogado dentro do próprio nu.

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