terça-feira, 4 de maio de 2010

Capítulo II

6 meses antes

Não era usual em Liliana acordar àquelas horas. Mas pudera, depois da longa noite que tivera, seria pouco normal acordar cedo. Liliana e os amigos tinham tido uma grande noite, que foi passada a festejar o fim da suas licenciaturas. Era um alívio enorme para Liliana já ter terminado. Sentia que a sua vida finalmente começava! Liliana era uma rapariga de 22 anos, confiante e extrovertida, com longos e lisos cabelos castanhos. Os seus olhos eram, no entanto, distinguíveis. Um olho, uma cor. O facto de não ter olhos de cores iguais (um castanho e outro azul-esverdeado) não a incomodava nem perturbava a sua confiança. Gostava de ser diferente.
Ao acordar, a primeira coisa que pensou foi em contactar o seu amigo de longa data, Miguel.
“Desculpa se te acordo, mas não resisto em mandar-te uma SMS” pensou Liliana, mandando uma mensagem a Miguel, pedindo para se encontrarem ao almoço.
Ficou deitada na cama à espera da resposta, e quando finalmente a recebeu, ficou contente pela mesma ser positiva, encontrando motivação para sair da cama e ir tomar um longo banho.
Às 13h da tarde, a campainha tocou. Liliana, dirigiu-se apressadamente para a porta.
- Mike! Ainda bem que vieste!
- Fiquei verdadeiramente surpreso com a tua mensagem, pensava que ainda era da embriaguez de ontem! Ai valente! – brincou Miguel, entrando para a casa. Era um rapaz altíssimo e cheio de energia; transmitia sempre boas vibrações, sendo uma das razões pela qual Liliana adorava-o. Ambos caminharam para a sala e sentaram-se lado a lado, no sofá azul e fofo.
- Piada engraçada querido, mas acho que tu sabes que eu não sou de ficar muito alcoolizada! – retorquiu Liliana.
- Não sei se fico contente por ti ou se te dou os meus pêsames…
- Só demonstra a utilidade da minha pessoa! – disse Liliana, muito segura de si. – Agora é só malta a cravar boleia. - Ah conta com isso... Anda tudo preguiçoso para tirar a carta! A Ming já te ligou? Ela está a pensar em fazer o jantar de anos dela amanhã, lá no restaurante dos pais dela. Acho que até é bem pensado, há imenso tempo que não como chinês. Aproveita-se e vê-se lá o jogo do Benfica e tal. – sugeriu Miguel.
- Sim, ela já me disse. Concordo, acho muito bem… Bem, e por falar nisso, vamos tratar do nosso almoço. Vem dar-me uma ajudinha na cozinha, sim?

No dia seguinte, à noite

- ‘Tou? Lily és tu?! Para variar só 'tás uns catorze minutos atrasada! Vá lá, só faltas cá tu! - Ming Zhào gritava histericamente ao telefone, como uma criança numa meninice perfeita. Liliana quase nem tinha que colocar o telefone ao pé do ouvido, visto que ouvia perfeitamente com o telefone a uma distância considerável:
- Sim, sim, eu sei Ming! Desculpa a sério, só que estou a apanhar um trânsito enorme! Cinco minutos e estou aí.
Ming Zhào era uma amiga de longa data de Liliana, de estatura baixa e com aspecto meio "nerd". Oriunda da China, veio para Portugal aos doze anos de idade, altura em que conheceu Liliana. Ming contou com o apoio total de Liliana na difícil adaptação ao país.
Momentos mais tarde, Liliana conseguiu finalmente chegar ao restaurante. Após um pedido de desculpas a Ming pela interminável demora, começaram de seguida a jantar. Para além da comida tradicional chinesa, o que se podia ver mais em abundância era o imenso álcool, de todas as variedades. Estavam por volta de quinze pessoas no restaurante, que faziam um barulho ensurdecedor: eram pessoas a comer, outras a fazer brindes, as demais a discutir o futebol. Era um espaço pequeno que, no entanto, parecia muito grande, visto ser rodeado por espelhos nas paredes que dinamizavam o espaço. Passavam os minutos que rapidamente se convertiam em horas, e toda a gente se divertia.
- Isto era para vocês não se queixarem! ‘Tão a ver como a China não é assim um país tão estranho. Então e o Benfica pá? Anda ou não? - Após Ming proferir estas palavras, a emissão do jogo foi interrompida.
- Ming, deste azar!!! - refilou Miguel - faz aí o feitiço de volta ahaha!
- Miguel, cala-te! - calou-o de imediato Liliana. Sabia que, para um jogo de futebol importantíssimo como aquele ter sido interrompido, era porque era coisa séria. Foi então que surgiu um pivô na televisão: "Notícia de última hora. Assassinato no Campo Pequeno. Três mulheres foram encontradas mortas numa esquina, brutalmente assassinadas. Ambas as vítimas encontravam-se despidas, e ainda não foi possível identificá-las. Mais informações quando (...) ".
- Ai que horror! Quem poderá ter feito uma coisa destas? - perguntou desesperada uma rapariga que se encontrava na mesa a jantar com eles.
- Não faço ideia... Sim, mas é de facto uma atrocidade! – comentou outro.
- Há que lamentar... Mas nós queremos é o futebol! Vá pessoal comigo: o FUTEEEBOL! - Ming já se encontrava meio embriagada juntamente com as restantes pessoas da sala, que juntaram-se a ela no seu pingado cântico. Liliana, no entanto, encontrava-se bastante séria e alarmada.
Aquela notícia tinha provocado uma certa perturbação nela, pois detestava notícias tristes. Porém, Liliana desconhecia na altura que, num futuro próximo, ia ter um contacto muito directo com o que provocou aquela notícia...


1 comentários:

Não conhecia esta tua veia de escritora Sarah!
Continua, mesmo.
Quando editar um livro meu também quero uma capa fixe dessas, está muito muito apelativa.
beijo

Enviar um comentário

Twitter Delicious Facebook Digg Stumbleupon Favorites More