6 meses antes
Não era usual em Liliana acordar àquelas horas. Mas pudera, depois da longa noite que tivera, seria pouco normal acordar cedo. Liliana e os amigos tinham tido uma grande noite, que foi passada a festejar o fim da suas licenciaturas. Era um alívio enorme para Liliana já ter terminado. Sentia que a sua vida finalmente começava! Liliana era uma rapariga de 22 anos, confiante e extrovertida, com longos e lisos cabelos castanhos. Os seus olhos eram, no entanto, distinguíveis. Um olho, uma cor. O facto de não ter olhos de cores iguais (um castanho e outro azul-esverdeado) não a incomodava nem perturbava a sua confiança. Gostava de ser diferente.
Ao acordar, a primeira coisa que pensou foi em contactar o seu amigo de longa data, Miguel.
“Desculpa se te acordo, mas não resisto em mandar-te uma SMS” pensou Liliana, mandando uma mensagem a Miguel, pedindo para se encontrarem ao almoço.
Ficou deitada na cama à espera da resposta, e quando finalmente a recebeu, ficou contente pela mesma ser positiva, encontrando motivação para sair da cama e ir tomar um longo banho.
Às 13h da tarde, a campainha tocou. Liliana, dirigiu-se apressadamente para a porta.
- Mike! Ainda bem que vieste!
- Fiquei verdadeiramente surpreso com a tua mensagem, pensava que ainda era da embriaguez de ontem! Ai valente! – brincou Miguel, entrando para a casa. Era um rapaz altíssimo e cheio de energia; transmitia sempre boas vibrações, sendo uma das razões pela qual Liliana adorava-o. Ambos caminharam para a sala e sentaram-se lado a lado, no sofá azul e fofo.
- Piada engraçada querido, mas acho que tu sabes que eu não sou de ficar muito alcoolizada! – retorquiu Liliana.
- Não sei se fico contente por ti ou se te dou os meus pêsames…
- Só demonstra a utilidade da minha pessoa! – disse Liliana, muito segura de si. – Agora é só malta a cravar boleia. - Ah conta com isso... Anda tudo preguiçoso para tirar a carta! A Ming já te ligou? Ela está a pensar em fazer o jantar de anos dela amanhã, lá no restaurante dos pais dela. Acho que até é bem pensado, há imenso tempo que não como chinês. Aproveita-se e vê-se lá o jogo do Benfica e tal. – sugeriu Miguel.
- Sim, ela já me disse. Concordo, acho muito bem… Bem, e por falar nisso, vamos tratar do nosso almoço. Vem dar-me uma ajudinha na cozinha, sim?
No dia seguinte, à noite
- ‘Tou? Lily és tu?! Para variar só 'tás uns catorze minutos atrasada! Vá lá, só faltas cá tu! - Ming Zhào gritava histericamente ao telefone, como uma criança numa meninice perfeita. Liliana quase nem tinha que colocar o telefone ao pé do ouvido, visto que ouvia perfeitamente com o telefone a uma distância considerável:
- Sim, sim, eu sei Ming! Desculpa a sério, só que estou a apanhar um trânsito enorme! Cinco minutos e estou aí.
Ming Zhào era uma amiga de longa data de Liliana, de estatura baixa e com aspecto meio "nerd". Oriunda da China, veio para Portugal aos doze anos de idade, altura em que conheceu Liliana. Ming contou com o apoio total de Liliana na difícil adaptação ao país.
Momentos mais tarde, Liliana conseguiu finalmente chegar ao restaurante. Após um pedido de desculpas a Ming pela interminável demora, começaram de seguida a jantar. Para além da comida tradicional chinesa, o que se podia ver mais em abundância era o imenso álcool, de todas as variedades. Estavam por volta de quinze pessoas no restaurante, que faziam um barulho ensurdecedor: eram pessoas a comer, outras a fazer brindes, as demais a discutir o futebol. Era um espaço pequeno que, no entanto, parecia muito grande, visto ser rodeado por espelhos nas paredes que dinamizavam o espaço. Passavam os minutos que rapidamente se convertiam em horas, e toda a gente se divertia.
- Isto era para vocês não se queixarem! ‘Tão a ver como a China não é assim um país tão estranho. Então e o Benfica pá? Anda ou não? - Após Ming proferir estas palavras, a emissão do jogo foi interrompida.
- Ming, deste azar!!! - refilou Miguel - faz aí o feitiço de volta ahaha!
- Miguel, cala-te! - calou-o de imediato Liliana. Sabia que, para um jogo de futebol importantíssimo como aquele ter sido interrompido, era porque era coisa séria. Foi então que surgiu um pivô na televisão: "Notícia de última hora. Assassinato no Campo Pequeno. Três mulheres foram encontradas mortas numa esquina, brutalmente assassinadas. Ambas as vítimas encontravam-se despidas, e ainda não foi possível identificá-las. Mais informações quando (...) ".
- Ai que horror! Quem poderá ter feito uma coisa destas? - perguntou desesperada uma rapariga que se encontrava na mesa a jantar com eles.
- Não faço ideia... Sim, mas é de facto uma atrocidade! – comentou outro.
- Há que lamentar... Mas nós queremos é o futebol! Vá pessoal comigo: o FUTEEEBOL! - Ming já se encontrava meio embriagada juntamente com as restantes pessoas da sala, que juntaram-se a ela no seu pingado cântico. Liliana, no entanto, encontrava-se bastante séria e alarmada.
Aquela notícia tinha provocado uma certa perturbação nela, pois detestava notícias tristes. Porém, Liliana desconhecia na altura que, num futuro próximo, ia ter um contacto muito directo com o que provocou aquela notícia...
Não era usual em Liliana acordar àquelas horas. Mas pudera, depois da longa noite que tivera, seria pouco normal acordar cedo. Liliana e os amigos tinham tido uma grande noite, que foi passada a festejar o fim da suas licenciaturas. Era um alívio enorme para Liliana já ter terminado. Sentia que a sua vida finalmente começava! Liliana era uma rapariga de 22 anos, confiante e extrovertida, com longos e lisos cabelos castanhos. Os seus olhos eram, no entanto, distinguíveis. Um olho, uma cor. O facto de não ter olhos de cores iguais (um castanho e outro azul-esverdeado) não a incomodava nem perturbava a sua confiança. Gostava de ser diferente.
Ao acordar, a primeira coisa que pensou foi em contactar o seu amigo de longa data, Miguel.
“Desculpa se te acordo, mas não resisto em mandar-te uma SMS” pensou Liliana, mandando uma mensagem a Miguel, pedindo para se encontrarem ao almoço.
Ficou deitada na cama à espera da resposta, e quando finalmente a recebeu, ficou contente pela mesma ser positiva, encontrando motivação para sair da cama e ir tomar um longo banho.
Às 13h da tarde, a campainha tocou. Liliana, dirigiu-se apressadamente para a porta.
- Mike! Ainda bem que vieste!
- Fiquei verdadeiramente surpreso com a tua mensagem, pensava que ainda era da embriaguez de ontem! Ai valente! – brincou Miguel, entrando para a casa. Era um rapaz altíssimo e cheio de energia; transmitia sempre boas vibrações, sendo uma das razões pela qual Liliana adorava-o. Ambos caminharam para a sala e sentaram-se lado a lado, no sofá azul e fofo.
- Piada engraçada querido, mas acho que tu sabes que eu não sou de ficar muito alcoolizada! – retorquiu Liliana.
- Não sei se fico contente por ti ou se te dou os meus pêsames…
- Só demonstra a utilidade da minha pessoa! – disse Liliana, muito segura de si. – Agora é só malta a cravar boleia. - Ah conta com isso... Anda tudo preguiçoso para tirar a carta! A Ming já te ligou? Ela está a pensar em fazer o jantar de anos dela amanhã, lá no restaurante dos pais dela. Acho que até é bem pensado, há imenso tempo que não como chinês. Aproveita-se e vê-se lá o jogo do Benfica e tal. – sugeriu Miguel.
- Sim, ela já me disse. Concordo, acho muito bem… Bem, e por falar nisso, vamos tratar do nosso almoço. Vem dar-me uma ajudinha na cozinha, sim?
No dia seguinte, à noite
- ‘Tou? Lily és tu?! Para variar só 'tás uns catorze minutos atrasada! Vá lá, só faltas cá tu! - Ming Zhào gritava histericamente ao telefone, como uma criança numa meninice perfeita. Liliana quase nem tinha que colocar o telefone ao pé do ouvido, visto que ouvia perfeitamente com o telefone a uma distância considerável:
- Sim, sim, eu sei Ming! Desculpa a sério, só que estou a apanhar um trânsito enorme! Cinco minutos e estou aí.
Ming Zhào era uma amiga de longa data de Liliana, de estatura baixa e com aspecto meio "nerd". Oriunda da China, veio para Portugal aos doze anos de idade, altura em que conheceu Liliana. Ming contou com o apoio total de Liliana na difícil adaptação ao país.
Momentos mais tarde, Liliana conseguiu finalmente chegar ao restaurante. Após um pedido de desculpas a Ming pela interminável demora, começaram de seguida a jantar. Para além da comida tradicional chinesa, o que se podia ver mais em abundância era o imenso álcool, de todas as variedades. Estavam por volta de quinze pessoas no restaurante, que faziam um barulho ensurdecedor: eram pessoas a comer, outras a fazer brindes, as demais a discutir o futebol. Era um espaço pequeno que, no entanto, parecia muito grande, visto ser rodeado por espelhos nas paredes que dinamizavam o espaço. Passavam os minutos que rapidamente se convertiam em horas, e toda a gente se divertia.
- Isto era para vocês não se queixarem! ‘Tão a ver como a China não é assim um país tão estranho. Então e o Benfica pá? Anda ou não? - Após Ming proferir estas palavras, a emissão do jogo foi interrompida.
- Ming, deste azar!!! - refilou Miguel - faz aí o feitiço de volta ahaha!
- Miguel, cala-te! - calou-o de imediato Liliana. Sabia que, para um jogo de futebol importantíssimo como aquele ter sido interrompido, era porque era coisa séria. Foi então que surgiu um pivô na televisão: "Notícia de última hora. Assassinato no Campo Pequeno. Três mulheres foram encontradas mortas numa esquina, brutalmente assassinadas. Ambas as vítimas encontravam-se despidas, e ainda não foi possível identificá-las. Mais informações quando (...) ".
- Ai que horror! Quem poderá ter feito uma coisa destas? - perguntou desesperada uma rapariga que se encontrava na mesa a jantar com eles.
- Não faço ideia... Sim, mas é de facto uma atrocidade! – comentou outro.
- Há que lamentar... Mas nós queremos é o futebol! Vá pessoal comigo: o FUTEEEBOL! - Ming já se encontrava meio embriagada juntamente com as restantes pessoas da sala, que juntaram-se a ela no seu pingado cântico. Liliana, no entanto, encontrava-se bastante séria e alarmada.
Aquela notícia tinha provocado uma certa perturbação nela, pois detestava notícias tristes. Porém, Liliana desconhecia na altura que, num futuro próximo, ia ter um contacto muito directo com o que provocou aquela notícia...








